Mário Franco – O Artista da bola!

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Mário Franco - Foto Jonas
Entre os vários personagens que se tornaram populares e permanecem até hoje na memória do povo desta cidade e até daqueles que vinham de fora, relembro a figura do “Mário Franco”.

Mário Uchoa Franco, nascido em 19/05/1925, este nosso conterrâneo preencheu muitos de nossos dias com sua presença no largo das bandeiras, praticando suas “embaixadinhas” com sua inseparável companheira, a bola, como também fazendo suas flexões e demonstrando suas aptidões físicas. Muitas vezes em pleno inverno, desafiando o frio, lá estava ele, no “Largo”, ignorando o tempo.
Ao mesmo tempo em que fazia as “embaixadinhas”, gostava de contá-las ou cantar, e ainda falar coisas em tom de críticas. Sei que pra alguém sempre “sobrava”. Lembram do “caixa d’água” – palavra que usava pra criticar talvez aqueles que só sabiam juntar, e nada distribuíam com seu próximo? Talvez fosse algum desabafo também.
Mário Franco era filho de Crispina Uchoa Franco e Agenor Franco (vidraceiro), o qual deixaria para ele este ofício. O Sr. Agenor trabalhou muitos anos com Gaspar Scangarelli, renomado construtor que deixou suas obras em vários pontos desta cidade. Era o Sr. Agenor o encarregado da parte de colocar os vidros nas obras.
Por força do ofício de vidraceiro, Mário carregava também a inseparável “maleta” com alguns adesivos, que iam desde o símbolo do seu time de coração, o Grêmio, do qual era torcedor “fanático”, a até mesmo, figuras femininas. Costumava fazer propaganda dos filmes em cartaz no Cine Regente, eventos relacionados com o esporte, e quando passava por ele uma “dona”, daquelas de parar o trânsito, não deixava por menos, dava uma pausa no que estivesse fazendo, e por instantes, a companheira bola, esquecida, tornava-se objeto de segundo plano.
Conversei com a Sra. Maria Cesária Uchoa Franco, irmã deste nosso personagem e com alguns familiares. Devido à idade, dona Maria nasceu em 1939, não se lembra de muitos fatos que poderíamos relatar sobre o “Mário Franco”, mas diz que ele estudou na Escola Pe. Pagliani (patronato) e teve uma companheira, a Sra. Ramona Dias.
1941 - Família Franco - Mário, com 16 anos na época é o 4º da esquerda p/ direita foto arquivo da família
1941 – Família Franco – Mário, com 16 anos na época é o 4º da esquerda p/ direita
foto arquivo da família
Ainda lembro bem que nos fins de semana, o “Mário” costumava jogar uma bola ali na beira do rio, início da Rua Augusto Leivas, onde colocava a bandeira do “Cometa”, time que tinha desde a década de oitenta.
Mas entre tantas histórias do “Mário” vem ao meu conhecimento uma que o tempo provavelmente distorceu, pois fala de uma ida à capital, onde ele teria sido “engambelado” por um conhecido médico da época, que o convenceu dizendo que iria fazer um teste no seu clube do coração.
Na verdade, tratava-se de umas olimpíadas militares que ele foi “convencido” de que iria participar. Tudo combinado. Apenas queriam levá-lo para fazer exames tentando buscar razões para a vida que levava. Após o encontro com uma médica e fazer “embaixadinhas” diante dela, foi atestado que somente com o passar dos anos é que poderia surgir, talvez, algum problema psíquico que justificasse suas atitudes, mas que naquele momento, tratava-se de uma pessoa normal.

Na volta, diz que ele ainda gozou com o médico: – “Eu passei no teste, mas será que “eles” passam?” Referindo-se àqueles que tentaram enganá-lo.

Outra história aconteceu na metade dos anos “setenta” e retrata um encontro entre o “Mario Franco” e o “Falcão” quando da vinda do Internacional para um amistoso aqui na cidade. Contam que ele foi pra frente do hotel e desafiou o craque colorado fazendo suas embaixadinhas, indo e voltando de uma esquina a outra, deixando o jogador admirado e sem condições de acompanhá-lo devido a grande habilidade que tinha.
Nosso personagem “partiu” já faz tempo, mas deixou na nossa memória a lembrança e a saudade de um homem e sua paixão: a bola.

É isso aí, um abraço e até a próxima edição.

Obs: As duas “histórias” do Mário me foram relatadas pelo José N. Orcelli.  
Texto publicado na Coluna ” Jaguarão , ontem, hoje”  de Cleomar Ferreira no Jornal Fronteira Meridional, edição do dia 21 de novembro de 2012.

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